REALISMO
O Realismo marcou fortemente a literatura
europeia na segunda metade do século 19. O amadurecimento das tendências que o
caracterizaram deu-se a partir dos movimentos revolucionários de 1848.
É importante
assinalar que as relações do Realismo com o Romantismo são bem mais complexas dos que
as de uma simples negação - existem no Realismo elementos de acentuada
contestação do Romantismo, mas também de continuidade.
Entre os principais escritores do Realismo destacam-se os franceses Balzac e Flaubert.
Entre os principais escritores do Realismo destacam-se os franceses Balzac e Flaubert.
Contexto Histórico
- Surgiu a partir da segunda metade do século XIX.
- As idéias do Liberalismo e Democracia ganham mais espaço.
- As ciências evoluem e os métodos de experimentação e observação da realidade passam a ser vistos como os únicos capazes de explicar o mundo físico.
- Em 1870, iniciam-se os primeiros sintomas da agitação cultural, sobretudo nas academias de Recife, SP, Bahia e RJ, devido aos seus contatos freqüentes com as grandes cidades europeias.
- Houve também uma transformação no aspecto social com o surgimento da população urbana, a desigualdade econômica e o aparecimento do proletariado.
O Realismo iniciou-se na França, em 1857, com a
publicação de “Madame Bovary”,
de Gustave Flaubert.
No Brasil foi em 1881, com “Memórias Póstumas da
Brás Cubas” de Machado de Assis e “O Mulato” de
Aluísio Azevedo.
Características do Realismo
- Oposição ao idealismo romântico. Não há envolvimento sentimental
- Representação mais fiel da realidade
- Romance como meio de combate e crítica às instituições sociais decadentes, como o casamento, por exemplo
- Análise dos valores burgueses com visão crítica denunciando a hipocrisia e corrupção da classe
- Influência dos métodos experimentais
- Narrativa minuciosa (com muitos detalhes)
- Personagens analisadas psicologicamente
·
O
excessivo subjetivismo romântico é substituído pela descrição da realidade (e
da relação do homem com a sociedade).
·
Influência de movimentos políticos
(socialismo, comunismo, anarquismo etc.).
·
A ciência se afirma como único método para se
conhecer, efetivamente, a realidade.
·
Novos campos do conhecimento (como a
sociologia e a psicologia) influenciam a literatura.
·
O "eu" literário não será mais fruto
da espontaneidade ou da emotividade, como no Romantismo, mas de uma reflexão
muitas vezes aguda e sempre consciente dos limites que a sociedade impõe ao
homem - e das angústias e insatisfações daí decorrentes.
Realismo
no Brasil
• As raízes do Realismo brasileiro remontam a Memórias de um sargento de milícias,
de Manuel Antônio de Almeida.
• Lentamente, os escritores abandonam o verso
condoreiro ou grandiloquente de Castro Alves e o idealismo de José de Alencar, com sua tendência a
enaltecer o índio, transformando-o na figura do “bom selvagem” de Rousseau.
• Passa a ocorrer uma tentativa de reconhecimento
da realidade brasileira, acompanhada da reelaboração da linguagem.
• Há uma diversificação das técnicas narrativas,
seja na utilização do material regional como base da ficção, seja no estudo de
individualidades e seus relacionamentos sociais.
• O texto literário ganha autonomia. Não há mais um
projeto nacional a lhe determinar o conteúdo ou a forma. O texto passa a ser
obra de arte autônoma, cujo objetivo é, antes de tudo, exatamente esse: ser
obra literária.
É considerado o maior escritor do século XIX,
escreveu romances e contos, mas também aventurou-se pelo mundo da poesia,
teatro, crônica e critica literária.
Nasceu no Rio de Janeiro em 1839 e morreu em 1908.
Foi tipógrafo e revisor tornando-se colaborador da imprensa da época.
Sua infância foi muito pobre e a sua ascensão
artística se deve a muito trabalho e dedicação. Sua esposa, Carolina Xavier, o
incentivou muito na carreira literária, tanto que foi o primeiro presidente da
Academia Brasileira de Letras.
Como romancista escreveu: ”A mão e a luva”,
“Ressurreição”, ”Helena” e “Iaiá Garcia”.
Embora sejam romances, essas obras também revelam
algumas características que futuramente marcarão a fase realista e madura do
autor, como a análise psicológica dos personagens, o humor, monólogos
interiores e cortes na narrativa (uma das suas principais características).
“Memórias Póstumas da Brás Cubas” (considerado o
divisor de águas na obra machadiana) “Quincas Borba”, “Dom Casmurro”, “Esaú e
Jacó” e “Memorial de Aires”, revelam o interesse cada vez maior do autor de
aprofundar a análise do comportamento do homem, revelando algumas
características próprias do ser-humano como a inveja, a luxúria, o egoísmo e a
vaidade, todas encobertas por uma aparência boa e honesta.
Como contista Machado escreveu: ”A Cartomante”,”O Alienista”,”O
Enfermeiro”,”O Espelho” dentre outros.
Como cronista escreveu, entre 1892 e 1897, para a
Gazeta de Notícias, sob o título “A Semana”.
Embora suas peças teatrais não tenham o mesmo nível
que seus contos e romances, ele nos deixou “Quase ministro” e “Os deuses da
casaca”.
Como crítico literário, além de vários prefácios e
ensaios destacam-se 3 estudos: ”Instinto de nacionalidade”,”A nova geração” e
“O primo Basílio” (a respeito do romance de mesmo nome de Eça de Queirós).
Outros Autores
- Raul Pompéia: “O Ateneu”
- Aluísio Azevedo: “O cortiço”,”O Mulato”, “Casa de pensão”
- Inglês de Souza: “O missionário”
- Adolfo Caminha: “A normalista”, “Bom-Crioulo”
- Domingos Olímpio: ”Luzia-Homem”
Cronologia dos principais
romances do Realismo
- 1881 “O Mulato”, “Memórias póstumas de Brás Cubas”
- 1884 “Casa de pensão”
- 1888 “O missionário”, “O Ateneu”
- 1890 “O cortiço”
- 1891 “Quincas Borba”
- 1893 “A normalista”
- 1895 “Bom-Crioulo”
- 1899 “Dom Casmurro”
- 1903 “Luzia-Homem”
- 1904 “Esaú e Jacó”
- 1908 “Memorial de Aires”
Fontes:
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