sexta-feira, 21 de junho de 2013



REALISMO

O Realismo marcou fortemente a literatura europeia na segunda metade do século 19. O amadurecimento das tendências que o caracterizaram deu-se a partir dos movimentos revolucionários de 1848.
É importante assinalar que as relações do Realismo com o Romantismo são bem mais complexas dos que as de uma simples negação - existem no Realismo elementos de acentuada contestação do Romantismo, mas também de continuidade.

Entre os principais escritores do Realismo destacam-se os franceses Balzac e Flaubert.
Contexto Histórico
  • Surgiu a partir da segunda metade do século XIX.
  • As idéias do Liberalismo e Democracia ganham mais espaço.
  • As ciências evoluem e os métodos de experimentação e observação da realidade passam a ser vistos como os únicos capazes de explicar o mundo físico.
  • Em 1870, iniciam-se os primeiros sintomas da agitação cultural, sobretudo nas academias de Recife, SP, Bahia e RJ, devido aos seus contatos freqüentes com as grandes cidades europeias.
  • Houve também uma transformação no aspecto social com o surgimento da população urbana, a desigualdade econômica e o aparecimento do proletariado.
O Realismo iniciou-se na França, em 1857, com a publicação de “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert.
No Brasil foi em 1881, com “Memórias Póstumas da Brás Cubas” de Machado de Assis e “O Mulato” de Aluísio Azevedo.
Características do Realismo
  • Oposição ao idealismo romântico. Não há envolvimento sentimental
  • Representação mais fiel da realidade
  • Romance como meio de combate e crítica às instituições sociais decadentes, como o casamento, por exemplo
  • Análise dos valores burgueses com visão crítica denunciando a hipocrisia e corrupção da classe
  • Influência dos métodos experimentais
  • Narrativa minuciosa (com muitos detalhes)
  • Personagens analisadas psicologicamente
·         O excessivo subjetivismo romântico é substituído pela descrição da realidade (e da relação do homem com a sociedade).
·           Influência de movimentos políticos (socialismo, comunismo, anarquismo etc.).
·           A ciência se afirma como único método para se conhecer, efetivamente, a realidade.
·          Novos campos do conhecimento (como a sociologia e a psicologia) influenciam a literatura.
·          O "eu" literário não será mais fruto da espontaneidade ou da emotividade, como no Romantismo, mas de uma reflexão muitas vezes aguda e sempre consciente dos limites que a sociedade impõe ao homem - e das angústias e insatisfações daí decorrentes.
Realismo no Brasil
• As raízes do Realismo brasileiro remontam a Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida.
• Lentamente, os escritores abandonam o verso condoreiro ou grandiloquente de Castro Alves e o idealismo de José de Alencar, com sua tendência a enaltecer o índio, transformando-o na figura do “bom selvagem” de Rousseau.
• Passa a ocorrer uma tentativa de reconhecimento da realidade brasileira, acompanhada da reelaboração da linguagem.
• Há uma diversificação das técnicas narrativas, seja na utilização do material regional como base da ficção, seja no estudo de individualidades e seus relacionamentos sociais.
• O texto literário ganha autonomia. Não há mais um projeto nacional a lhe determinar o conteúdo ou a forma. O texto passa a ser obra de arte autônoma, cujo objetivo é, antes de tudo, exatamente esse: ser obra literária.
É considerado o maior escritor do século XIX, escreveu romances e contos, mas também aventurou-se pelo mundo da poesia, teatro, crônica e critica literária.
Nasceu no Rio de Janeiro em 1839 e morreu em 1908. Foi tipógrafo e revisor tornando-se colaborador da imprensa da época.
Sua infância foi muito pobre e a sua ascensão artística se deve a muito trabalho e dedicação. Sua esposa, Carolina Xavier, o incentivou muito na carreira literária, tanto que foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras.
Como romancista escreveu: ”A mão e a luva”, “Ressurreição”, ”Helena” e “Iaiá Garcia”.
Embora sejam romances, essas obras também revelam algumas características que futuramente marcarão a fase realista e madura do autor, como a análise psicológica dos personagens, o humor, monólogos interiores e cortes na narrativa (uma das suas principais características).
“Memórias Póstumas da Brás Cubas” (considerado o divisor de águas na obra machadiana) “Quincas Borba”, “Dom Casmurro”, “Esaú e Jacó” e “Memorial de Aires”, revelam o interesse cada vez maior do autor de aprofundar a análise do comportamento do homem, revelando algumas características próprias do ser-humano como a inveja, a luxúria, o egoísmo e a vaidade, todas encobertas por uma aparência boa e honesta.
Como contista Machado escreveu: ”A Cartomante”,”O Alienista”,”O Enfermeiro”,”O Espelho” dentre outros.
Como cronista escreveu, entre 1892 e 1897, para a Gazeta de Notícias, sob o título “A Semana”.
Embora suas peças teatrais não tenham o mesmo nível que seus contos e romances, ele nos deixou “Quase ministro” e “Os deuses da casaca”.
Como crítico literário, além de vários prefácios e ensaios destacam-se 3 estudos: ”Instinto de nacionalidade”,”A nova geração” e “O primo Basílio” (a respeito do romance de mesmo nome de Eça de Queirós).
Outros Autores
  • Raul Pompéia: “O Ateneu”
  • Aluísio Azevedo: “O cortiço”,”O Mulato”, “Casa de pensão”
  • Inglês de Souza: “O missionário”
  • Adolfo Caminha: “A normalista”, “Bom-Crioulo”
  • Domingos Olímpio: ”Luzia-Homem”
Cronologia dos principais romances do Realismo
  • 1881 “O Mulato”, “Memórias póstumas de Brás Cubas”
  • 1884 “Casa de pensão”
  • 1888 “O missionário”, “O Ateneu”
  • 1890 “O cortiço”
  • 1891 “Quincas Borba”
  • 1893 “A normalista”
  • 1895 “Bom-Crioulo”
  • 1899 “Dom Casmurro”
  • 1903 “Luzia-Homem”
  • 1904 “Esaú e Jacó”
  • 1908 “Memorial de Aires”
Fontes:

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